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Resgate grego: fim do primeiro capítulo

17/06/2017 - Mundo

Foram dias de grande tensão, embora quase todos os especialistas vaticinaban que nenhuma das duas partes, nem a Grécia nem a União Europeia, podiam permitir-se a dramatizar uma completa ruptura. Atenas porque continua carente de fundos europeus para que o país não pare e Bruxelas porque precisa manter a unidade da zona do euro para reforçar a incipiente recuperação econômica que se instala progressivamente na velha Europa. Com este acordo, que vem a contornar o problema de fundo com uma solução a curto prazo que simplesmente supõe vencer quatro meses ao calendário, posterga um choque de trens que muitos especialistas vêem quase inevitável.
Após o cruzamento de seus quadros, entre a ala mais dura, liderada pela Alemanha, e os novos governantes de Atenas, agazapan dois confrontos de fundo. Por um lado, a ideológica, já que a chegada ao governo de Alexis Tsipras é a expressão mais notável de várias formações políticas que vêm pôr em causa a arquitectura europeia e a forma em que a UE tem enfrentado a crise. E por outro lado há um certo confronto de gerações, já que a maioria dos líderes políticos que põem em solfa, com mais ou menos veemência, a austeridade guardião defendida pelos países mais conservadores, são muito mais jovens e representam novas formas de entender a política e as relações institucionais.
Quanto ao acordo em si mesmo as duas partes tiveram que ceder, muito mais a Grécia que os seus parceiros europeus. Cercada pela urgência de poder acessar os últimos pagamentos do resgate, que representam 3.600 milhões de euros e a possibilidade de usar 10.900 milhões de euros em bônus para a recapitalização de seus bancos, Alexis Tsipras teve que estacionar, pelo menos de momento, a maior parte da bateria de promessas eleitorais, que ganhou as eleições em seu país. Na lista de medidas propostas por Atenas para desbloquear a situação se encontram a promessa de não deter nenhuma privatização já fechada, ou cujo processo formal tenha sido lançado. Além disso, se deferirá o compromisso de elevar o salário mínimo para quando esta medida não prejudique nem a competitividade ou para a criação de emprego.
No campo fiscal, Atenas anunciou uma reforma do IVA para tentar subir as receitas por esta via, mediante a inevitável subida das taxas. Outra das grandes marcas do executivo grego, a colocação em marcha de uma série de medidas para aliviar a crise social em que vive a Grécia, está subordinada a que não tenha efeitos fiscais negativos. Em suma, a pressão de seus parceiros europeus, foi forçado, pelo menos aparentemente, que a Grécia siga uma política econômica ortodoxa. O interesse se concentrar agora nos movimentos que faça Alexis Tsipras, nos quatro próximos meses, que serão fundamentais para o futuro não só de seu país, mas de toda a União Europeia.