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Os países do G20 precisam de mais e melhores empregos, como base para um crescimento sustentável, segundo a OIT

29/06/2017 - Mundo

É uma das principais conclusões a que chegou, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que elaborou uma série de relatórios sobre a situação de trabalho no mundo para tentar delimitar as áreas em que considera que se torna mais necessária uma intervenção decidida.
A OIT, juntamente com outras organizações como a OCDE, o FMI e o Banco Mundial, apresentou uma bateria de documentos de trabalho relacionados com o mercado de trabalho com o fim de servir como base para as discussões que estão sendo desenvolvidas na cimeira sobre o emprego, que reúne na cidade australiana de Melbourne para os ministros do trabalho dos países mais desenvolvidos do mundo. Nas conclusões do relatório Mercados de trabalho do G20: perspectivas, desafios e respostas políticas, a OIT alerta sobre o “grave déficit no número e na qualidade dos empregos criados nos países do G20, um fato que está afetando as perspectivas de recuperação económica”.
Neste relatório, conclui-se que, apesar de estar enfrentando o processo de recuperação da crise financeira, “muitas economias do G20 ainda enfrentam um grande défice de emprego, que vai durar até pelo menos 2018”. Um problema que a OIT considera que persistirá “, a menos que se intensifique o crescimento” e adverte que “o fraco desempenho do mercado de trabalho também é uma ameaça para a recuperação econômica, porque atrasa tanto o consumo como o investimento”.
O documento conjunto da OIT, da OCDE, o FMI e o Banco Mundial, chama a atenção para a lacuna que se abriu entre o aumento dos salários e o aumento da produtividade, fato que levou a que “a desigualdade dos salários e dos rendimentos permaneça alta, ou até mesmo tenha aumentado”, com a consequência de que “os salários reais ficaram estagnados, ou até diminuíram, em muitas economias avançadas do G20”.
No futuro, o relatório que se vai discutir na cimeira do G20 de Melbourne, sustenta-se que, para atingir um crescimento sustentável, “é necessário adotar políticas transversais a fim de melhorar a produtividade, os salários e as perspectivas de emprego, especialmente para os grupos mais vulneráveis.” Outro elemento que a OIT vê com preocupação é o desequilíbrio demográfico que sofre o mundo desenvolvido, “com países que estão imersos em um rápido processo de envelhecimento em frente ao crescimento das populações jovens em outros”.
Finalmente, a OIT considera que a criação de empregos de qualidade e um crescimento robusto e equitativo são dois objetivos que estão intimamente ligados um com o outro: “para reverter o atual ciclo de crescimento fraco, baixa criação de emprego e investimentos insuficientes são necessárias intervenções públicas que contemplem tanto o lado da oferta como da demanda do mercado de trabalho. As políticas que serão mais eficazes se forem tomadas coletivamente e são coordenadas a nível do G20”.