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O petróleo sobe: o mudança de rumo ou miragem?

31/05/2017 - Mundo

Sempre se compara com o preço que pagam os consumidores por combustíveis com os foguetes e as penas: sobem como os primeiros, e caem como as segundas. Enquanto o barril de Brent, de referência na Europa, houve um 7,4% na semana passada, os combustíveis subiram 3,7%. No entanto, entre 22 de junho e 22 de setembro de 2014, o Brent caiu 25%, e as gasolinas e gasóleos só baixaram um 2,11% de média. No que levamos de ano o preço do petróleo tem vindo a recuperar uma parte de 60% das perdas que acumulou no primeiro semestre de 2014. Desde o arranque do ano foi revalorizado em 20%, com o barril de Brent é vendido a us $ 60, enquanto que o Texas atinge 52. Muito longe dos mais de 100 dólares que chegaram a valer há não muitos meses.
Nestas últimas datas parece que o mercado do petróleo, sacudido por grandes tensões entre os diferentes países produtores, encontrou a caminho da recuperação. Os analistas financeiros estão uma das causas da perda de força do dólar, uma situação que fez com que comprar petróleo com a moeda norte-americana se tenha feito mais rentável do que adquiri-lo com as outras moedas. Embora os principais atores do mercado petrolífero disputam em tentar sustentar a tendência de alta dos preços, diversas vozes apontam que o rumo que vai tomar o preço do petróleo vai ser totalmente oposto e consideram que a atual situação é uma miragem.
Por um lado, um relatório do Citigroup sobre o petróleo aposta por um preço tão baixo quanto $ 20 dólares por barril pode estar logo em cima da mesa e afirma que “as recentes altas nas cotações são uma falsa tendência. O mercado está mais do que alimentado e os tanques de armazenamento chegam ao topo”, afirma Edward Morse, chefe global do Citigroup para a pesquisa de matérias-primas. A essa voz se juntou nada mais e nada menos do que o Irã, por boca de seu ministro de petróleo, Bijan Zanganeh, que prevê que o preço do barril de petróleo pode cair até os 25 dólares se a OPEP não atua.
O problema de fundo é a profunda divisão no seio do cartel do petróleo, com a Arábia Saudita inclinada à sua postura de manter o atual ritmo de produção, enquanto que outros países apostam fechar a torneira do reservatório para animar os preços. A este coro foi unido Ian Taylor, diretor executivo de Vitol Group, uma das maiores empresas do mundo dedicadas a investir e comercializar petróleo, que acredita que os preços continuarão no caminho baixista até meados do ano como mínimo, momento em que a demanda e a oferta, começarão a ser equilibrado. Além disso, afirmou que não há sinais que façam prever uma queda da produção de petróleo nos EUA, uma das chaves mais significativas do baixo custo do petróleo nos mercados internacionais.