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O dia depois do ‘dia D’ (Draghi)

17/06/2017 - Mundo

De ter que oferecer altas rentabilidades quase chegar a cobrar a quem adquire bônus espanhóis. É a profunda viragem que tem experimentado a recepção da dívida portuguesa nos mercados internacionais nos últimos meses, sobretudo após a tantas vezes anunciada chega do Quantitative Easing continental, que deu início de forma eficaz, esta segunda-feira. As primeiras aquisições de dívida europeia no mercado secundário por parte do BCE tiveram um efeito não muito pronunciado sobre o comportamento dos investidores, que haviam descontado o arranque do QE no mês e meio que foi mediado entre o anúncio oficial de seu lançamento e as primeiras compras efetivas por parte da entidade que preside, Mario Draghi.
Não obstante, o novo cenário financeiro, que define a iniciativa do BCE permitiu que a rentabilidade dos bônus espanhóis a prazos mais próximos no tempo, de dois e três anos, e os que têm vencimentos mais longos, 15 e 30 anos, cerrasen a jornada de segunda-feira em novos mínimos. Tal é a confiança que tem o Tesouro da eficácia do QE europeu que ficou às portas de começar a primeira emissão de dívida espanhola na história em que pacten juros negativos: é dizer, cobrar os compradores, em vez de oferecer rentabilidade para seus investimentos.
De momento, embora as letras a três meses foram cotado a um irrisório 0,001% no último leilão, para as seguintes operações, de letras a 6 e 12 meses, é possível que se consiga descer do 0,088% pago pelos títulos a médio ano, no passado mês de fevereiro. Se a colocação desta terça-feira é realizada uma nova queda significativa da remuneração, se abriria a porta para as primeiras taxas negativas de juros da história da dívida espanhola.
Por agora, um dos efeitos do programa de compra de dívida do BCE tem sido a nova descida do euro face à moeda norte-americana, que foi aberto nesta terça-feira no ambiente de 1,08 dólares, o nível mais baixo desde 2003. Se a trajetória do euro segue pelo mesmo caminho, no que vai de ano já perdeu 20% de seu valor frente à moeda norte-americana, a paridade entre as duas moedas pode estar ao alcance da mão. De fato, consultorias, como a JP Morgan vislumbram, nesse momento, no final deste mesmo ano, quando espera que o euro chega a valer us $ 1,01.
A Europa lhe interessa, neste momento, ter uma moeda menos forte que beneficia as exportações europeias para países de outras áreas, já que, ao custar cada euro menos dólares, é realizada de forma indireta, baratear os nossos produtos e torná-los mais atrativos. Um efeito pernicioso de um dólar forte, a factura das importações de petróleo, está sob controle graças à queda dos preços do petróleo nos últimos meses: o barril de Brent ronda os 58 dólares, o que afasta a ameaça, ao menos nos meses mais imediatos.