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O Dia D chegou

31/05/2017 - Mundo

Longe estão os dias em que o prémio de risco espanhola foi notícia de capa e motivo de comentário do dia a dia. Em julho de 2012, bateram todas as marcas, ao ter que preocupar com 649 pontos das emissões de dívida espanhola, que chegaram a cotizarse naquele momento, para 7,7%, um nível praticamente insustentável que quase fechou os mercados para a dívida espanhola. Dois anos e meio depois, com a tempestade da dívida europeia, em uma fase mais calma, o prémio de risco espanhola arrancou esta sexta-feira, em 98 pontos básicos, com o interesse do bônus a dez no 1,271%, frente ao 0,308% do que se paga para o bônus alemão, que serve de referência na Europa.
A partir de segunda-feira, Mario Draghi deve premer o ‘botão nuclear’ a compra maciça de títulos de dívida, no montante de 60.000 milhões de euros por mês. Essa enorme quantidade de dinheiro chegará ao sistema financeiro, com a intenção de entrar na economia real dos países europeus. Neste cenário, com os preços do petróleo em retrocesso, o euro em franca desvalorização frente ao dólar e com os recursos aportados pelo BCE, muitos especialistas internacionais apostam porque 2015 como o ano do lançamento definitivo da Europa. Se tudo funcionar tal como foi concebido o BCE, a liquidez extraordinária que representam os 1,14 bilhões de euros que vão injetar até 2016, deve repercutir em uma maior fluidez do crédito, um elemento que fará com que se incentivem as atividades empresariais.
Enquanto isso, Mario Draghi defendeu no Parlamento europeu que o Quantitative easing europeu, a medida mais ambiciosa de sempre adoptada pelo BCE, “tem um grande potencial de transmissão sobre a economia real”, e apontou que “já vimos alguns efeitos positivos de nossas acções”. O presidente do BCE destacou a redução dos custos de financiamento, graças à redução das rentabilidades que os investidores exigem para a dívida soberana da zona do euro, “por que as taxas de juro a que se financiam famílias e empresas diminuíram consideravelmente”.
Mario Draghi, na véspera do Dia D do programa de compra de dívida, avançou que “o crédito vai continuar a sua recuperação, depois de que o crescimento do financiamento ao sector privado for positivo, em dezembro pela primeira vez desde meados de 2012”. Em suma, o presidente do BCE aposta decididamente na eficácia de seu plano, de uma fórmula que os círculos económicos europeus consideram como o último recurso a que combater a ameaça de deflação na zona euro. “Nossas medidas ajudarão a atividade econômica”, defendeu Draghi, uma afirmação de que a Europa espera que passe a ser um desejo a traduzir-se em uma realidade tangível.

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