Menu

Janet Yellen conseguiu o seu objetivo

30/06/2017 - Mundo

Em todos estes anos já se passaram muitas coisas: a falência do Lehman Brothers, as hipotecas subprime, a crise de dívida… Um furacão de acontecimentos que abalou até os alicerces para o edifício financeiro construído no final da II Guerra Mundial. Foi posto em causa, sobretudo naquelas regiões do mundo mais afetadas pela maior crise desde 1929, o mantra do crescimento econômico contínuo. Talvez nunca voltemos a ver o mundo da mesma forma que se via até 2008 e, provavelmente, que o digam a China, não assistiremos a mais episódios contínuos de grande crescimento da actividade económica.
Janet Yellen chegou ao cargo com a intenção de dar a volta à política monetária de seu país e começar a recuperar os níveis lógicos nas taxas de juro, que têm se mantido praticamente a zero durante um período de tempo muito longo. O tímido aumento de um quarto de ponto, que era o esperado pelo mercado, deixa o preço do dinheiro entre 0,25 e 0,5%. É uma manobra muito cautelosa, porque a recuperação é frágil e quase qualquer coisa pode quebrarla, mas é uma mensagem muito clara de onde quer transitar a governadora da Reserva Federal norte-americana.
Por trás dos tipos baixos se agazapan toda uma sorte de medidas, quase de doping, para que a economia norte-americana recobrar o vigor de anos atrás. Antes de decidir aumentar os tipos, Yellen foi retirando a alimentação que tem vindo a injectar na economia através de estímulos monetários. O final do tratamento, dos Estados Unidos, que quer dar carpetazo oficial a crise de 2008, é a primeira subida de taxas em quase dez anos. A grande questão é saber se a retirada da medicação vai ser resistida pelo doente ou se você vai ter uma recaída que precise de novos tratamentos.
Enquanto isso, na Europa, que começou a aplicar a mesma farmacopeia dos Estados Unidos, que muito mais tarde do que no outro lado do Atlântico, o BCE vai continuar fornecendo doses gigantes de antibiótico à infectada economia continental. Não só, nem se coloca subida das taxas de juro, algo que todos os atores econômicos concordam que seria uma terapia que vai matar o doente, mas que vai intensificar as doses de vitaminas econômicas na forma de compras maciças de títulos para tentar reanimar a depauperada saúde econômica continental. O aumento das taxas nos Estados Unidos aumentará o valor do dólar, pelo que os produtos dos países da zona do euro vão ser mais competitivos em preço para os norte-americanos, um efeito colateral que pode ajudar a Europa a encontrar o caminho definitivo para sair da crise.