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China venda de compras

17/06/2017 - Mundo

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, saiu do Palácio do Planalto, sede da presidência brasileira, com uma bateria de 35 acordos sob o braço. Um conjunto de contratos que representam para o Brasil a entrada de milhares de milhões de dólares com os que, por exemplo, será construído o chamado Ferrovia Transcontinental, uma linha de trem que sairia do norte do país, acabar com a bacia do Amazonas e dos Andes para desembocar em um porto brasileiro. Seria uma nova via mais rápida com a de unir a américa Latina com a Ásia e, desta forma, facilitar os intercâmbios comerciais entre os dois continentes. Mas a assinatura do convênio inversor com o governo que preside Dilma Rousseff é apenas o primeiro de muitos passos que a China vai dar para tentar deixar para trás seu papel de grande fábrica do mundo e se tornar um proeminente investidor internacional.
As intenções chinesas com a sua grande investimento no Brasil não ficam apenas em ser o sócio capitalista. Em sua turnê brasileira, o chefe do gabinete chinês disse que o seu país está interessado em montar fábricas em território brasileiro para produzir localmente os equipamentos que serão utilizados em projetos de infra-estrutura que vão se desenvolver com capital chinês na maior economia latino-americana. “Já há um consenso entre os governos dos dois países e as empresas de ambos os lados, sobre o que precisamos instalar fábricas aqui para produzir e gerar emprego localmente”, disse Li Keqiang após a visita que fez ao centro de operações do metrô do Rio de Janeiro, onde vão operar 34 trens que foram fornecidos pela empresa chinesa CNR.
Mas é que, além disso, a China tem uma nova torção em seu giro estratégico: anunciou a criação de uma nova empresa de investimentos para promover o estabelecimento no exterior de suas próprias empresas e a promoção de suas exportações. Esta nova entidade tem como objetivo apoiar as empresas chinesas para que estabeleçam linhas de produção em outros países, onde se gerariam empregos industriais, enquanto que as companhias chinesas centrarão as suas exportações de bens de equipamento e a maquinaria, o que se interpreta como um meio para mudar o eixo da economia chinesa de produção em massa e a indústria, mais especializada. A primeira operação desta nova empresa externa da china seria a criação de um fundo de cooperação industrial com o Cazaquistão, que seria dotado com 6.000 milhões de dólares.
A mudança de rumo experimentado pela política de investimentos da china no exterior vem acompanhado pelo lançamento do Banco Asiático de Investimentos em Infra-estrutura, que contará com 57 países fundadores, entre eles Espanha, mas que não terá entre seus sócios para os Estados Unidos e o Japão. Tanto o novo Banco investidores, como os anunciados investimentos externos são parte da mudança de estratégia de Pequim, incluindo a sua abertura para o oeste e o desenvolvimento de projectos de infra-estruturas, tanto em suas áreas menos desenvolvidas, como em outros países.