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A síndrome da China

19/06/2017 - Mundo

Christine Lagarde já avisou: o FMI prepara uma redução substancial de sua previsão de crescimento mundial. As turbulências que estão vivendo os mercados financeiros internacionais e os fracos dados chineses alimentam suspeitas de que a segunda maior economia do mundo possa entrar em um processo de involução. Por exemplo, o índice PMI chinês de agosto caiu até o 49,7, o que indica que a produção está em declínio. Um mal dado que há que somar a queda do emprego, já que as empresas chinesas têm reduzido efetivos em agosto pelo vigésimo segundo mês consecutivo, com uma aceleração de destaque do ritmo de destruição de empregos. Além disso, se o cenário fosse pouco tranquilizador, o FMI acredita que o governo de Pequim não vai ser capaz de enfrentar adequadamente esta situação.
Com este pano de fundo, esta quinta-feira, começa em Ancara a cimeira do G20, que vão dirigir os ministros de finanças e os ministros de economia das vinte maiores economias do mundo. Um encontro para o qual o FMI elaborou um relatório prévio, que avisa sobre o crescimento mundial, “o que reflete uma maior desaceleração nas economias emergentes e uma fraca recuperação nas economias avançadas”, afirma o documento de trabalho. Em um ambiente de crescente volatilidade dos mercados financeiros, o Fundo aponta como principais riscos económicos e a diminuição dos preços das matérias-primas, a entrada mais fraco de capitais e a desvalorização das moedas de mercados emergentes: “os riscos para as perspectivas foram elevado, especialmente para os emergentes e as economias em desenvolvimento”
Mas, sem dúvida, a grande protagonista do encontro vai ser a China. O gigante económico, parece ter os pés de barro, tal como julgam os especialistas do FMI: “espera-se que o crescimento da China seja de 6,8% em 2015, contra 7,4 do ano passado”. Esta desaceleração, juntamente com o forte corretiva que viveram as Bolsas chinesas, obriga o país a forma a colocar o seu futuro económico com outras fórmulas: “o desafio agora é dar os próximos passos em direção a uma economia mais aberta e baseada no mercado”, afirmou Markus Rodlauer, chefe da missão do FMI para a China. Para obtê-lo, e que o mundo não seja afetado por uma síndrome da China, o país vai exigir reformas estruturais, “como mudar para um sistema financeiro mais baseado no mercado, a melhoria da gestão das finanças públicas e a igualdade de condições entre as empresas de propriedade estatal e o setor privado”, disse Markus Rodlauer.