Menu

A OCDE e a OIT alerta sobre os efeitos da desigualdade no desenvolvimento econômico

29/06/2017 - Mundo

Neste sentido, o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, avançou que, de acordo com os dados que gerencia este organismo, “se as desigualdades aumentam mais poderiam provocar reduções de até 7,5 % do PIB per capita nos próximos 25 anos”. A OCDE afirma que o período de dificuldades pelo qual está atravessando parte do mundo “não é apenas um problema social também tem impacto sobre as perspectivas econômicas. Devemos ter cuidado para garantir que as estratégias não só promovem o crescimento e a criação de emprego, também se devem ter em conta as desigualdades”.
Paralelamente, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou o relatório Tendências políticas mundiais de proteção social 2010-2015, em que estuda a progressão que o gasto público está seguindo em todo o mundo. Esta entidade das Nações Unidas (ONU) quis chamar a atenção sobre a tendência mundial para a consolidação fiscal, uma política que, a juízo da OIT, “pode significar um agravamento da crise do emprego e o aumento das desigualdades”. De acordo com os dados que gerencia essa agência da ONU, estas medidas contribuíram para aumentar a exclusão social na Europa”, o que afeta a 123 milhões de pessoas”.
Neste sentido, a OCDE defende retocar algumas políticas econômicas de forma que favoreçam a inclusão: “certa redistribuição de recursos pode favorecer um crescimento mais inclusivo. A política deve ser a de equipar as pessoas com a formação necessária para que possam tirar proveito de suas circunstâncias e adaptar-se quando estas mudam”, disse o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, que também defendeu a criação de “empregos de mais qualidade, favorecer a incorporação ao mercado de trabalho dos jovens, para corrigir a desigualdade salarial e de oportunidades de promoção que sofrem as mulheres e melhorar a formação e a cooperação entre os setores público e privado”.
Por sua parte, a OIT indica em seu estudo que devem procurar soluções para ampliar a margem de manobra fiscal: “em muitos países, as respostas à crise têm sido tomadas a portas fechadas, o que deu lugar a uma falta de compreensão por parte da opinião pública, descontentamento social e impactos socioeconômicos adversos”, declarou Isabel Ortiz, Diretora do Departamento de Proteção Social da OIT, que assinalou a importância de que “os governos, os empresários, trabalhadores e sociedade civil se reúnem no marco de um diálogo nacional, a fim de assegurar uma recuperação socialmente responsável”.