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A hora da verdade

31/05/2017 - Mundo

Depois de muitas mensagens de ida e volta, vários rascunhos e vários atrasos, Grécia cedeu parcialmente e pediu esta sexta-feira a extensão do resgate, que vence no próximo dia 28 de fevereiro. O governo grego pediu aos seus parceiros comunitários quatro meses de prorrogação com os que tentar ganhar tempo e pôr em marcha uma bateria de reformas estruturais que permitam superar as enormes dificuldades econômicas que, desde há seis anos, têm-se batido o país. O pano de fundo da tensão entre Atenas e seus parceiros são os 226.700 milhões de euros que a Grécia recebeu prestados entre maio de 2010 e o verão de 2014, dos quais 51% foi destinado a devolver dívidas anteriores.
O desafio do responsável pela política econômica grega, Yanis Varoufakis, não é nem muito menos simples. Por um lado, têm de convencer os seus parceiros europeus de que continuem a conseguir financeiramente, já que a sua ajuda é essencial para que o país siga em frente. Por outro têm uma cidadania que tem apoiado uma mudança política com a esperança de que se ponha fim à mais longa e profunda crise, mesmo acima da Grande Depressão norte-americana, que um país ocidental tem sofrido nos últimos anos.
O memorando aviso enviado desde Atenas para Bruxelas, contém uma série de medidas em torno de três eixos principais: a luta contra a evasão fiscal, combate à corrupção e reforma do sector público. São os três cavalos de batalha dos governos gregos dos últimos anos, três características da sociedade helena que o executivo de Alexis Tsipras se propõe a reverter. As perguntas que paira sobre as intenções do governo heleno são duas: a primeira é se o ala dura da UE, com a Alemanha à cabeça, considera-se suficiente a essa declaração de intenções para liberar um novo trecho da tão necessária ajuda financeira. A segunda é como vão alcançar os novos líderes gregos transferir esses abordagens sobre o papel na tomada de decisões de projecto político e social que enderecen o rumo das contas gregas, acuciadas por uma dívida externa de 176% do PIB.
Enquanto isso, a Grécia continua em recessão depois de seis anos, o tamanho de sua economia foi reduzida em mais de um quarto a partir de 2008, enquanto que o desemprego, agora em 25,8%, triplicou o caminho e três de cada quatro desempregados não encontram trabalho há mais de um ano. A elevada taxa de desemprego e diminuição de salários e pensões fez com que o poder de compra volte para níveis de há 30 anos e foi colocado à mais de um terço dos gregos em risco de pobreza e exclusão social, a cifra mais alta de toda a zona Euro.

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