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A China. Você aterra como você pode?

30/07/2017 - Mundo

O objetivo do 7% de crescimento do que esperava o governo chinês tem sido uma décima acima do valor real, 6,9%, que tornou pública a Escritório Nacional de Estatísticas. Mas são dados que já queria para si qualquer país ocidental, o balanço final de 2015, vem a confirmar o que era um segredo: a China tem de repensar todo o seu modelo econômico e produtivo. Basta recordar que, desde a morte de Mao, o gigante asiático tem conseguido números marinheiros de crescimento, como o 15,2% realizado em 1984, 14,2% de 2007 ou o 10,6% com que terminou em 2010. Há um quinquênio, a China começou um pouso de sua economia, o que levou a perder 3,6 pontos de crescimento, uma queda que arrastou atrás de si uma grande parte da Ásia.
Para entender o milagre econômico chinês há que se lembrar que, em 1970, a China era um país de camponeses, com um setor arcaico e totalmente ineficaz. Este imenso país representava, na época, 2,6% da economia mundial e seus habitantes tinham uma renda per capita de pouco mais de 100 dólares anuais. Quase meio século depois, os chineses representam 13% da economia global, o 60,1% da atividade da Ásia Oriental e conseguiram multiplicar sua renda por 77, ao roçar os 7.700 dólares. No entanto, embora o câmbio tem sido muito profundo, os dados de renda são alejadísimos dos 53.000 dólares dos Estados Unidos ou os quase 36.000 da União Europeia.
A enxurrada de dados liberados pelo executivo de Pequim se escondem números reveladores do arrefecimento que está vivendo o principal setor econômico chinês, as obras. A grande fábrica do mundo diminui pouco a pouco a sua actividade, tal como reflectem o facto de que a produção industrial registou um aumento, em dezembro de 5,9% ao ano, um valor que, no entanto, está abaixo de 6,2% em novembro e 6% que esperavam a maioria dos especialistas. Outro indicador significativo são as de vendas varejistas, que cresceu 11% em relação a dezembro de 2014, valor que na Europa seria espetacular, mas que ficou abaixo das expectativas do mercado. E o mais revelador de todos é que a China caminha passo a passo para se tornar uma economia centrada em serviços: em 2015, este setor representou o 50,5% de seu PIB, a primeira vez na história que o terciário supera ao resto da economia chinesa.
Tentar prever o que vai fazer o dragão chinês nos próximos meses, é, no mínimo, arriscado. De momento, a onda de Bolsa de Xangai, que já deu um bom susto esse verão passado, não acolheu a mal os resultados finais de 2015. Em parte porque ficaram um pouco abaixo das previsões de tempo e, principalmente, porque os investidores já haviam descontado no início do ano, o previsível, o pouso da economia chinesa. Essa combinação de fatores levou a que o mercado de valores de Xangai tenha recuperado os 3.000 pontos e conclua as contribuições da jornada com uma subida de 3,2%.

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